O professor Tom Licence, da Universidade de East Anglia, encontrou no outono de 2024 um tesouro de ouro da Idade do Ferro perto de Bury St Edmunds, em Suffolk. O achado, chamado Bury St Edmunds Hoard, inclui 18 moedas de ouro — 17 estáteres completos e um quarto-estater — atribuídas ao rei celta Dubnovellaunos, da tribo Trinovantes, e a Addedomaros, dos Catuvellauni, datadas de cerca de 25 a.C. a 10 d.C.
O conjunto representa a maior concentração de moedas de Dubnovellaunos já registrada. Licence comunicou imediatamente a descoberta às autoridades arqueológicas britânicas, e tanto ele quanto o proprietário do terreno ficaram com uma moeda cada, conforme a legislação sobre treasure. O restante do hoard será leiloado, com parte dos recursos destinados a pesquisas arqueológicas locais.
As moedas foram enterradas intencionalmente no lado leste de uma colina, próximo a nascentes de água, padrão observado em outros depósitos ritualísticos celtas. Entre os exemplares, estáteres de Addedomaros apresentam um cavalo estilizado e círculos concêntricos, sugerindo ligação política e dinástica com Dubnovellaunos. O estáter de Dubnovellaunos exibe cabeça e cavalo, reforçando a presença dos Trinovantes na região.
O leilão ocorreu em 4 de março de 2026 na Noonans Mayfair, em Londres, e as 18 moedas foram arrematadas por £33.200, superando a avaliação inicial de £25.000. Comparativamente, hoards menores recentes, como o de cinco moedas celtas do Corieltauvi encontrado em Derbyshire (2023), alcançaram cerca de £5.000, enquanto o Lenham Hoard (Kent, 2022) de 35 estáteres foi vendido por £103.500.
Especialistas ressaltam que a descoberta não apenas amplia o conhecimento sobre a numismática da Idade do Ferro, mas também fornece informações sobre práticas políticas e rituais da Britânia pré-romana.
Fontes: Noonans Mayfair, Portable Antiquities Scheme e estudos de numismática de Alice Cullen.
Foto: Tom Licence