Um estudante de 13 anos encontrou uma moeda de bronze da Grécia Antiga enquanto caminhava por um campo no distrito de Spandau, em Berlim, em abril de 2026. O objeto, cunhado entre 281 e 261 a.C. na cidade de Troia, atual Turquia, é o primeiro artefato grego identificado com contexto arqueológico na capital alemã.
A peça tem cerca de 12 milímetros de diâmetro e pesa pouco mais de 7 gramas. De um lado, traz o rosto da deusa Atena com capacete. Do outro, mostra Atena Ilias segurando uma lança e um fuso, símbolo ligado à tradição religiosa de Troia.
O jovem levou a moeda a uma visita escolar ao Museu PETRI. Especialistas confirmaram a autenticidade e iniciaram escavações no local onde o objeto foi achado. A área já era conhecida por pesquisas anteriores e revelou vestígios de um antigo cemitério, com restos cremados, cerâmicas e objetos metálicos.
Segundo o arqueólogo Jens Henker, da autoridade de patrimônio de Berlim, o principal desafio é explicar como a moeda chegou ao norte da Europa há cerca de 2.300 anos. O valor econômico da peça era baixo na época, o que reforça a hipótese de uso simbólico, possivelmente em rituais funerários.
Pesquisadores trabalham com diferentes hipóteses. Uma delas envolve rotas comerciais, como a chamada “rota do âmbar”, que ligava o Báltico ao Mediterrâneo. Outra sugere que mercenários do norte europeu, a serviço de exércitos gregos ou macedônios, tenham levado o objeto de volta ao seu local de origem.
A descoberta amplia o entendimento sobre contatos entre o mundo mediterrâneo e regiões do norte europeu na Antiguidade. Até então, não havia registro de objetos gregos encontrados em Berlim com comprovação arqueológica.
A moeda está em exposição no Museu PETRI e motivou novas análises na área de Spandau. Técnicos avaliam o uso de métodos como radar de solo para identificar outros vestígios enterrados.