Arqueólogos descobriram um assentamento celta de cerca de 2.300 anos em Allonnes, no centro da França. O local reunia oficinas de metalurgia, um complexo religioso e ficava em uma antiga encruzilhada de rotas comerciais. Entre os principais achados estão cinco pares de grilhões de ferro, que indicam a possível existência de um centro de comércio de escravos durante a Idade do Ferro.
As escavações revelaram oficinas de ferreiros e artesãos especializados na produção de peças de ferro, bronze e cobre. A grande quantidade de resíduos da atividade metalúrgica mostra que o assentamento era um importante polo de fabricação e circulação de mercadorias.
Os grilhões encontrados eram usados para prender pulsos e tornozelos. A presença desses objetos sugere que pessoas escravizadas passavam pelo local, possivelmente prisioneiros de guerra, condenados ou indivíduos obrigados a pagar dívidas com a própria liberdade.
Além das oficinas, os arqueólogos identificaram um espaço destinado a práticas religiosas. No local foram encontradas centenas de moedas produzidas ao longo de mais de cinco séculos. Muitas delas apresentavam cortes, limagens e outros danos feitos de forma intencional.
Essas marcas indicam que as moedas deixavam de ser usadas como meio de pagamento antes de serem oferecidas em rituais religiosos. A prática transformava os objetos em oferendas permanentes, dedicadas às divindades.
As descobertas reforçam a ideia de que o assentamento desempenhava funções econômicas, religiosas e comerciais ao mesmo tempo. O conjunto de vestígios também revela uma sociedade organizada, com produção artesanal especializada, intenso intercâmbio comercial e fortes diferenças sociais.
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