A Peça da Coroação de Dom Pedro I: A Moeda Mais Valiosa do Brasil que Só 64 Pessoas Já Tocaram

A Peça da Coroação de Dom Pedro I: A Moeda Mais Valiosa do Brasil que Só 64 Pessoas Já Tocaram

A Peça da Coroação de Dom Pedro I: A Moeda Mais Valiosa do Brasil

Em 1º de dezembro de 1822, a Casa da Moeda do Rio de Janeiro cunhou apenas 64 exemplares de uma moeda de ouro de 6.400 réis para marcar a coroação do primeiro Imperador do Brasil. Hoje, a Peça da Coroação de Dom Pedro I é a maior raridade da numismática brasileira — e apenas 16 desses exemplares têm localização conhecida no mundo.


Por que Só 64 Foram Cunhadas?

A cerimônia de sagração de Dom Pedro I aconteceu na Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, no Rio de Janeiro. Para o evento, a Casa da Moeda produziu às pressas as moedas destinadas ao óbulo — a oferenda tradicional das monarquias ibéricas à Igreja. Mas o imperador mandou interromper a cunhagem imediatamente após receber os exemplares.

O motivo foi documentado em 1862, no livro "Apreciação do Medalheiro da Casa da Moeda":

"...a moeda desagradou ao Senhor Dom Pedro I por faltar na legenda a palavra CONST. antes da IMP. e por estar o Busto coroado de louro, falta e redundancia que se prestavão a allusões de Seu Nobre Caracter."

Em outras palavras: a ausência de CONST. (Constitucional) na legenda expunha Dom Pedro a interpretações políticas perigosas. O louro, símbolo romano, reforçava a ambiguidade. Esses dois "erros" transformaram cada um dos 64 discos de ouro em testemunhos únicos de um momento irrepetível.


Observe os Detalhes que Identificam a Peça

AtributoDetalhe
Denominação6.400 réis
MetalOuro
Casa de CunhagemRio de Janeiro — marca "R"
Ano1822
Gravador do anversoZeferino Ferrez
Gravador do reversoTomé Joaquim da Silva Veiga
AnversoBusto nu de Dom Pedro I com coroa de louros
ReversoEscudo das Armas com Coroa Real (não Imperial)
Tiragem64 exemplares
Localizados hoje16 exemplares

O reverso traz a Coroa Real — e não a Imperial — porque o Decreto que determinou essa mudança nas armas do Império foi assinado exatamente no dia da coroação. A moeda registrou em metal o exato instante da transição.


Acervos públicos:

  • Museu de Valores do Banco Central do Brasil — dois exemplares (um adquirido no leilão Jacques Schulman, Amsterdã, 1926)

  • Museu do Banco do Brasil, Rio de Janeiro

  • Museu do Banco Itaú, São Paulo (ex-Coleção J. B. Moura)

  • Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro

  • Museu Numismático Português, Lisboa

Coleções privadas notáveis:

  • Ex-Coleção Augusto de Souza Lobo → Guilherme Guinle → Leilão Heritage Auctions, Nova Iorque, 2014

  • Ex-Coleção Julius Meili, Zurique

  • Ex-Coleção Louis E. Eliasberg, Baltimore — proveniência rastreada desde 1908

Os outros 48 exemplares foram fundidos, perdidos ou consumidos pelo tempo ao longo de dois séculos.


Quanto Vale: Catálogo Bentes e Mercado Internacional

O Catálogo Bentes (10ª ed., p. 340–341) registra duas variantes provadas da Peça da Coroação, ambas com raridade máxima R.5:

  • E16.01.01 — Prata (prova), 1822 R: R$ 480.000 em estado SOB

  • E17.01.01 — Cobre (prova), 1822 R: R$ 480.000 em estado SOB

(Catálogo de referência: Bentes, 10ª ed., p. 340–341)

A coluna FDC aparece como "—" nas duas variantes — nenhum exemplar nesse estado superior é catalogado. Para a versão original em ouro, a referência mais documentada é o Leilão Heritage Auctions (NYINC): o exemplar da Coleção Souza Lobo, em estado AU55 (NGC), foi arrematado por US$ 499.375 — o maior valor já pago por uma moeda brasileira em leilão internacional.


Esta Peça Conta o Nascimento de uma Nação

A Peça da Coroação foi cunhada no exato momento em que o Brasil deixava de ser Colônia para se tornar Império. A vaidade de Dom Pedro I ao rejeitá-la transformou, involuntariamente, cada um desses 64 discos de ouro na mais poderosa relíquia da numismática nacional.

Você tem moedas do período imperial ou quer aprofundar seus estudos com o Catálogo Bentes? Deixe sua experiência nos comentários, compartilhe o artigo com outros colecionadores e continue explorando o blog. Na próxima publicação: os 960 Réis columnários — as moedas de prata que circularam no Brasil e nas colônias espanholas.

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Comentário recente

  • user por Messias Pokemon, o melhor mercado do mundo.

    Esses dias uma amiga porca-ismática estava postando algumas moedas graduadas pela PCGS com nota 65 a 67 no WhatsApp. Aí ela colocou que a moeda estava em Flor de Cunho absoluto. Aí eu fui perguntar se a moeda realmente estava sem “marcas de dedo”, aí olha o que essa PORCA-ISMÁTICA me respondeu: "Ter marcas de dedo nas moedas é normal, no passado eles não cuidavam delas". Ué, então não existem moedas FC, porra! Aí ela me disse que uma simples digitalzona na moeda não deixa de ser FC? O que claro que deixa, porra! Está na definição de FC. E outra: o principal motivo de alguém comprar algo que não serve para nada — que é a moeda, cédula, selo, cartas de Pokémon, o objeto que for — é o estado de conservação, que é o cuidado com que os colecionadores armazenaram e manusearam corretamente o objeto até hoje. Se não fosse o estado de conservação, a carta do Pikachu Illustrator PSA 10 não teria sido leiloada por quase US$ 17 milhões de dólares. Aí eu perguntei para essa PORCA-ISMÁTICA se ela já leu um livro de administração de empresas e ela nem me respondeu. Claro que não, né? Para quem oferece lixo para os clientes na maior cara de pau, se tivesse lido nem estava nesse mercado, onde é mais raro encontrar um comerciante honesto do que as moedas e cédulas realmente FC ou FE. Eu só quero ver ela vender sucata para os clientes dela de mais de 60 anos daqui a 20 anos; vai ter que ir ao cemitério! Já no Pokémon, a cada dia cresce o número de colecionadores, pois a empresa contrata os melhores ilustradores do Japão para desenhar as cartas. E agora em outubro teremos a TAG, uma das maiores graduadoras dos EUA, operando aqui no Brasil. Vai dar para levar a carta nela de manhã e à tarde pegá-la já graduada.

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  • user por Messias Pokemon, o melhor mercado do mundo.

    Fascinante? É você comprar moedas ditas FC e receber SUCATA em casa? Moedas limpas, moedas circuladas, com marcas de dedo, onde os PILANTRAS dizem que é FC? Porra, se na definição de FC está escrito que a moeda não circulou, então por que diabos ela tem digital? O que a definição de FC diz: O estado absoluto de conservação. O item não apresenta qualquer vestígio de circulação, mantendo-se no mesmo estado de integridade de quando foi manufaturado pela Casa da Moeda. O item não apresenta qualquer vestígio de circulação? Ué? Então por que diabos os comerciantes chamados numismatas vendem e dizem que moedas circuladas, com digitais, são FC na maior cara de pau? Se é para vender SUCATA, por que não monta logo um ferro-velho, e não uma loja do TROCO. No Pokémon se a carta está NM ela está perfeita, nem marca de dedo tem. Já aconteceu de eu comprar uma e ela ter vários pontos brancos, reclamei com o comerciante, e disse-lhe que ele tinha me ofendido, pois quando alguém envia lixo para um cliente é uma ofensa mesmo, aí o rapaz até me pediu desculpas, enviei a carta pelo correio, mostrei o comprovante do envio e já quis me mandar o PIX no valor da carta, daí eu disse: agora ela é minha responsabilidade, quando ela chegar aí você me paga o PIX. Beleza, resolvido, se eu tivesse comprado uma moeda dita FC, com 99,9999% teria recebido uma moeda FP=Flor de Porco ou uma FDe= Flor de Porco Excepcional com uma digitalzona bem no meio da arruela de metal, e duvido se eu conseguiria devolver esse lixo para o vendedor lixo que me vendeu.

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  • user por Lilian Corina Gusso

    Muito bem elaborado este site. Ótimas fotos.

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