Costa Rica dá passo decisivo na modernização monetária: antigas moedas de ₡5, ₡10 e ₡25 serão retiradas em julho de 2026
A população costarriquenha se prepara para uma mudança histórica na circulação de moedas: o Banco Central de Costa Rica (BCCR) anunciou que, a partir de 1º de julho de 2026, as antigas moedas de ₡5, ₡10 e ₡25 deixarão de ser aceitas como meio legal de pagamento. A medida faz parte de um plano estratégico para modernizar o “cone monetário” do país, tornando as transações mais eficientes, seguras e sustentáveis.
Segundo o BCCR, a retirada do ₡5 se deve ao chamado “seigniorage negativo”, ou seja, o custo de produção da moeda supera seu valor nominal. Desde 2020, essa moeda já não era mais cunhada, e agora sua eliminação definitiva reflete ajustes econômicos e de inflação ocorridos nas últimas décadas.
Objetivos da modernização
O plano de modernização visa:
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Eficiência e manuseio: moedas menores e mais leves facilitam transporte e reduzem custos logísticos.
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Durabilidade e sustentabilidade: novos metais e ligas aumentam a vida útil das moedas e diminuem o impacto ambiental.
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Acessibilidade: alto-relevo e marcas táteis ajudam pessoas com deficiência visual a diferenciar os valores.
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Segurança: novas técnicas de cunhagem dificultam falsificações, mesmo em moedas de baixo valor.
As novas versões das moedas de ₡10 e ₡25 possuem diâmetros menores e composições metálicas atualizadas. O ₡25, por exemplo, tem 22,5 mm, canto liso e duas barras em alto relevo no anverso para facilitar o reconhecimento tátil, além de ser compatível com máquinas automáticas de venda e estacionamento.
Troca de moedas e rede bancária
A troca das moedas antigas será feita por bancos públicos e privados, cooperativas e associações de poupança, garantindo que ninguém perca valor monetário. Mesmo após o fim da aceitação comercial, o valor das moedas continuará garantido nos bancos.
Durante a fase de retirada das moedas ₡50 e ₡500 em 2025, o país enfrentou o chamado “crise do troco”, quando comerciantes tiveram dificuldade de fornecer valores exatos. Para evitar problemas semelhantes, o BCCR já distribuiu mais de 38 milhões de novas moedas de ₡10 e ₡25, mantendo reservas estratégicas para garantir disponibilidade suficiente.
O impulso digital
A modernização física do dinheiro acompanha o avanço do sistema digital SINPE Móvil, que permite transferências em tempo real, inclusive para pequenas transações cotidianas, como transporte público ou compras em feiras. Mais de 100 empresas já aderiram ao programa “Entidad Libre de Efectivo”, incentivando pagamentos digitais e diminuindo a dependência de moedas físicas.
Impactos socioeconômicos
Embora a população urbana tenha fácil acesso a serviços digitais, setores informais, como feiras rurais e pequenos comerciantes, dependem das moedas. O BCCR recomenda que estes grupos realizem a troca gradualmente entre janeiro e junho de 2026 para evitar filas e transtornos de última hora.
Valorização cultural
O novo cone monetário também celebra a identidade nacional: o ₡25 apresenta marcos provinciais, o ₡50 destaca espécies da fauna local, e o ₡500 homenageia eventos históricos, incentivando o interesse do público em recircular as moedas.