Estáter de ouro de Filipe II e raridades britânicas movimentam leilão de moedas em North Yorkshire

Estáter de ouro de Filipe II e raridades britânicas movimentam leilão de moedas em North Yorkshire

Um estáter de ouro atribuído a Filipe II da Macedônia, cunhado no século IV a.C., foi um dos grandes destaques do leilão de moedas e cédulas realizado pela Tennants em 7 de agosto, em Leyburn, North Yorkshire. O exemplar alcançou £4.000, sem considerar o prêmio do comprador.

A venda reuniu peças de diferentes períodos e regiões, passando pela Grécia Antiga, Cartago, Judeia, Grã-Bretanha celta e Roma, além de importantes moedas britânicas medievais e modernas. O resultado mostra como exemplares com boa conservação, raridade ou relevância histórica continuam atraindo forte interesse entre colecionadores.

Um retrato da Macedônia no século IV a.C.

O estáter de Filipe II pertence a uma das séries monetárias mais conhecidas da Antiguidade grega. O exemplar oferecido pela Tennants pesa cerca de 8,55 gramas e apresenta, no anverso, a cabeça laureada de Apolo voltada para a direita. No reverso, aparece uma biga conduzida por um auriga, acompanhada pela inscrição referente a Filipe II. O exemplar é associado à Casa da Moeda de Pella e foi catalogado como uma peça de excelente qualidade.

A escolha dos motivos não era meramente decorativa. A moeda fazia parte de uma tradição em que a representação de divindades, símbolos e figuras ligadas ao poder ajudava a projetar a autoridade do reino. Décadas depois, tipos monetários derivados das emissões de Filipe II continuariam a exercer enorme influência no mundo helenístico.

O catálogo da Tennants havia estimado o exemplar entre £2.500 e £3.500, mas a disputa levou o preço final a £4.000.

Um raro penny de Henrique I chama atenção

Entre as moedas britânicas cunhadas manualmente, outro lote despertou especial interesse: um penny de Henrique I, associado ao tipo PAXS da Casa da Moeda de York.

A peça possui uma história particularmente interessante. Ela foi encontrada por um detectorista de metais em East Yorkshire e registrada no Portable Antiquities Scheme sob a referência YORYM-68B2AA. Mais importante ainda, o exemplar representa a primeira moeda conhecida daquele tipo associada ao moneyer Edwine, de York, sendo atribuída ao início do século XII.

O lote tinha uma estimativa inicial de apenas £400 a £600, mas terminou sendo arrematado por £1.200 — o dobro do limite superior da estimativa.

A descoberta também ilustra uma das características mais fascinantes da numismática medieval britânica: pequenas moedas de prata podem carregar informações extremamente importantes sobre oficinas monetárias, responsáveis pela cunhagem e circulação econômica de uma determinada região.

Raridades escocesas também superam as expectativas

Na seção dedicada às moedas fresadas, dois exemplares escoceses se destacaram.

Tratava-se de padrões relacionados a Jaime VII da Escócia, também conhecido como Jaime II na Inglaterra, e a Jaime VIII, o chamado Old Pretender. Apesar de apresentarem a data de 1688, essas peças não foram efetivamente cunhadas naquele ano.

Os exemplares foram produzidos em 1828 por Matthew Young, utilizando matrizes originalmente gravadas por Norbert Roettiers. A documentação numismática confirma que essas peças são, portanto, recriações posteriores feitas a partir das matrizes antigas.

A raridade é um dos principais fatores que explicam o interesse. Segundo a Tennants, estima-se que existam aproximadamente 60 exemplares de cada tipo.

O padrão de 60 xelins de 1688, associado a Jaime VII, alcançou £4.000, enquanto a coroa de 1716, ligada a Jaime VIII, chegou a £2.800. Ambos ultrapassaram as expectativas iniciais.

Uma pequena moeda da Pensilvânia ligada a Benjamin Franklin

O leilão também apresentou uma interessante peça da história monetária colonial norte-americana: uma moeda de três pence da Pensilvânia, datada de 1764.

O exemplar pertencia a uma emissão associada à impressão de Benjamin Franklin e apresentava uma variedade considerada incomum, identificada como "plate A". A moeda acabou sendo vendida por £950, bastante acima da estimativa inicial de £300 a £500.

É justamente esse tipo de peça que demonstra como a numismática ultrapassa a análise de metal, peso ou conservação. Uma moeda colonial pode se tornar especialmente desejável quando está relacionada à história da formação dos Estados Unidos e a personagens de grande relevância histórica.

O ouro mantém força entre os colecionadores

As moedas de ouro também tiveram desempenho expressivo durante a venda.

Entre os resultados, uma moeda de £2 de Jorge IV, de 1823, foi arrematada por £2.500. O exemplar faz parte de uma emissão particularmente importante da numismática britânica e traz no reverso a conhecida representação de São Jorge combatendo o dragão, desenho associado ao trabalho de Benedetto Pistrucci. A série de £2 de Jorge IV de 1823 é reconhecida como uma das emissões de ouro relevantes do período.

Outro destaque foi um conjunto parcial de provas de ouro da coroação de Jorge VI, de 1937, vendido por impressionantes £10.200.

O conjunto é especialmente interessante pela baixa quantidade produzida: a própria Tennants informa que foram cunhados apenas 5.001 exemplares dessa emissão. O lote tinha sido estimado entre £7.000 e £9.000.

Um leilão de quase £180 mil

Somando os resultados, a venda alcançou um total de £178.275 em preços de arremate, distribuídos por 376 lotes, com uma taxa de venda de 98%.

O desempenho reforça a diversidade do mercado numismático: moedas da Antiguidade, peças medievais encontradas por detectoristas, padrões britânicos extremamente raros, dinheiro colonial americano e moedas de ouro dos séculos XIX e XX encontraram compradores na mesma sessão.

Mais do que os valores alcançados individualmente, o resultado chama atenção pela quantidade de peças que superaram suas estimativas. O comportamento dos lotes sugere que, para o colecionador especializado, raridade, procedência, conservação e importância histórica continuam sendo fatores capazes de transformar uma moeda aparentemente pequena em um objeto de grande valor.

A venda da Tennants também evidencia uma característica particular da numismática: duas moedas com o mesmo valor facial podem estar separadas por séculos de história — e, dependendo de sua raridade e contexto, uma delas pode valer milhares de libras.

Fonte: Tennants Auctioneers e referências numismáticas consultadas.

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Comentário recente

  • user por Messias Pokemon, o melhor mercado do mundo.

    Esses dias uma amiga porca-ismática estava postando algumas moedas graduadas pela PCGS com nota 65 a 67 no WhatsApp. Aí ela colocou que a moeda estava em Flor de Cunho absoluto. Aí eu fui perguntar se a moeda realmente estava sem “marcas de dedo”, aí olha o que essa PORCA-ISMÁTICA me respondeu: "Ter marcas de dedo nas moedas é normal, no passado eles não cuidavam delas". Ué, então não existem moedas FC, porra! Aí ela me disse que uma simples digitalzona na moeda não deixa de ser FC? O que claro que deixa, porra! Está na definição de FC. E outra: o principal motivo de alguém comprar algo que não serve para nada — que é a moeda, cédula, selo, cartas de Pokémon, o objeto que for — é o estado de conservação, que é o cuidado com que os colecionadores armazenaram e manusearam corretamente o objeto até hoje. Se não fosse o estado de conservação, a carta do Pikachu Illustrator PSA 10 não teria sido leiloada por quase US$ 17 milhões de dólares. Aí eu perguntei para essa PORCA-ISMÁTICA se ela já leu um livro de administração de empresas e ela nem me respondeu. Claro que não, né? Para quem oferece lixo para os clientes na maior cara de pau, se tivesse lido nem estava nesse mercado, onde é mais raro encontrar um comerciante honesto do que as moedas e cédulas realmente FC ou FE. Eu só quero ver ela vender sucata para os clientes dela de mais de 60 anos daqui a 20 anos; vai ter que ir ao cemitério! Já no Pokémon, a cada dia cresce o número de colecionadores, pois a empresa contrata os melhores ilustradores do Japão para desenhar as cartas. E agora em outubro teremos a TAG, uma das maiores graduadoras dos EUA, operando aqui no Brasil. Vai dar para levar a carta nela de manhã e à tarde pegá-la já graduada.

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  • user por Messias Pokemon, o melhor mercado do mundo.

    Fascinante? É você comprar moedas ditas FC e receber SUCATA em casa? Moedas limpas, moedas circuladas, com marcas de dedo, onde os PILANTRAS dizem que é FC? Porra, se na definição de FC está escrito que a moeda não circulou, então por que diabos ela tem digital? O que a definição de FC diz: O estado absoluto de conservação. O item não apresenta qualquer vestígio de circulação, mantendo-se no mesmo estado de integridade de quando foi manufaturado pela Casa da Moeda. O item não apresenta qualquer vestígio de circulação? Ué? Então por que diabos os comerciantes chamados numismatas vendem e dizem que moedas circuladas, com digitais, são FC na maior cara de pau? Se é para vender SUCATA, por que não monta logo um ferro-velho, e não uma loja do TROCO. No Pokémon se a carta está NM ela está perfeita, nem marca de dedo tem. Já aconteceu de eu comprar uma e ela ter vários pontos brancos, reclamei com o comerciante, e disse-lhe que ele tinha me ofendido, pois quando alguém envia lixo para um cliente é uma ofensa mesmo, aí o rapaz até me pediu desculpas, enviei a carta pelo correio, mostrei o comprovante do envio e já quis me mandar o PIX no valor da carta, daí eu disse: agora ela é minha responsabilidade, quando ela chegar aí você me paga o PIX. Beleza, resolvido, se eu tivesse comprado uma moeda dita FC, com 99,9999% teria recebido uma moeda FP=Flor de Porco ou uma FDe= Flor de Porco Excepcional com uma digitalzona bem no meio da arruela de metal, e duvido se eu conseguiria devolver esse lixo para o vendedor lixo que me vendeu.

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  • user por Lilian Corina Gusso

    Muito bem elaborado este site. Ótimas fotos.

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