Uma embarcação portuguesa do século XVI foi descoberta sob as areias de uma mina de diamantes em Oranjemund, na Namíbia. O naufrágio, identificado como o Bom Jesus, estava desaparecido há quase 500 anos e revelou um tesouro arqueológico valioso, incluindo moedas de ouro, lingotes de cobre e artefatos da era das Grandes Navegações.
A descoberta ocorreu em 2008, quando trabalhadores de uma mina operada pela empresa De Beers e pelo governo da Namíbia drenaram uma lagoa artificial e se depararam com os destroços do navio. A embarcação partiu de Lisboa em 7 de março de 1533, sob o comando de Francisco de Noronha, com destino às rotas comerciais da Índia.
Tesouro submerso no deserto
Entre os objetos encontrados, destacam-se cerca de 2.000 moedas de ouro espanholas e portuguesas, além de lingotes de cobre marcados com o selo da família Fugger, uma das mais influentes da Alemanha renascentista. O cobre, totalizando cerca de 17 toneladas, desempenhou um papel crucial na preservação dos artefatos, já que impede a proliferação de organismos marinhos que acelerariam sua degradação.
Além do tesouro, os arqueólogos localizaram armas, instrumentos de navegação, cerâmicas e marfim, reforçando a importância do comércio global no século XVI. Segundo o arqueólogo Dieter Noli, responsável pelas escavações, o naufrágio representa uma cápsula do tempo que ajuda a entender a expansão marítima portuguesa.
O destino do Bom Jesus
Acredita-se que a embarcação tenha afundado após ser empurrada por uma tempestade contra as rochas da costa africana. Com o recuo do oceano ao longo dos séculos, os destroços foram gradualmente cobertos pelas areias do deserto.
O governo da Namíbia ficou com a posse dos artefatos, após um acordo com Portugal. Muitos dos objetos ainda passam por conservação e estudos, com planos para exibição pública no futuro.
A descoberta do Bom Jesus não apenas lança luz sobre a história marítima portuguesa, mas também reforça o papel da costa africana como um eixo central do comércio mundial na época das Grandes Navegações.
Crédito da imagem: Dr. Diete