Quase 100 moedas de ouro e joias foram encontradas em Hippos (Sussita), antiga cidade cristã da Galileia, durante escavações arqueológicas, anunciou a Universidade de Haifa em 25 de setembro de 2025. O tesouro permaneceu escondido por cerca de 1.400 anos.
Acredita-se que um residente rico, possivelmente um ourives, tenha enterrado o acervo para protegê-lo durante a invasão sassânida de 614 d.C., pouco antes da conquista islâmica da região. A descoberta ocorreu por acaso, quando Edie Lipsman, operador de detector de metais da expedição, sinalizou moedas embaixo de uma pedra entre paredes de basalto.
O arqueólogo Dr. Michael Eisenberg, codiretor da escavação, afirmou que o tesouro inclui 97 moedas de ouro puro, datadas do reinado de Justino I (518–527) até Heráclio (610–613). Entre os itens, há sólidos, semisses e tremisses — moedas de valor integral, metade e um terço de um sólido, respectivamente — e joias cravejadas com pedras semipreciosas. Uma moeda rara foi cunhada em uma casa da moeda militar portátil, provavelmente em Chipre.
Hippos, fundada no século II a.C. pelos selêucidas, tornou-se importante cidade cristã bizantina, com sete igrejas descobertas datadas entre os séculos V e VI. A cidade resistiu à conquista árabe em 636, mas entrou em declínio e foi destruída por um terremoto em 749.
Eisenberg ressaltou que a riqueza do tesouro indica que, mesmo no final do período bizantino, alguns moradores mantinham elevado padrão de vida, desafiando a percepção de declínio econômico da cidade.
O achado também ajuda a esclarecer eventos da invasão sassânida. Fontes históricas sugerem que judeus de Tiberíades se uniram aos invasores contra os bizantinos. Em Hippos, a Igreja do Martírio de Teodoro foi incendiada, ficando conhecida como “Igreja Queimada”.
O tesouro estava armazenado em um pequeno saco de pano, indicando que pertencia a uma família particular, não a uma instituição pública. Pesquisas futuras devem esclarecer o perfil do proprietário e as circunstâncias do ocultamento.