Cédulas de polímero: Transformando o cenário monetário global com segurança, durabilidade e sustentabilidade

Cédulas de polímero: Transformando o cenário monetário global com segurança, durabilidade e sustentabilidade

📖 Artigo escrito por Pedro Emanuel Rodrigues Aguiar
📰 Publicado na Revista XXVIII #2 da SNB

Nos últimos anos, o mundo tem testemunhado uma transformação significativa no design e na produção de cédulas monetárias. Tradicionalmente, as cédulas de papel, feitas de fibras de algodão ou misturas de papel, têm sido o padrão predominante. No entanto, a introdução e a crescente adoção de cédulas de polímero marcaram uma nova era na tecnologia de fabricação de dinheiro. As cédulas de polímero são produzidas a partir de plásticos especiais, geralmente polipropileno biaxialmente orientado (BOPP), que oferecem uma série de vantagens sobre as cédulas tradicionais de papel.

A Austrália foi pioneira nessa inovação ao emitir as primeiras cédulas de polímero em 1988. Desde então, a tecnologia se espalhou globalmente, com países como Canadá, Reino Unido, Nigéria, México e Brasil adotando cédulas de polímero em várias denominações. A mudança para cédulas de polímero é frequentemente motivada por questões de durabilidade e segurança. A vida útil prolongada dessas cédulas, que pode ser de duas a quatro vezes maior do que as cédulas de papel, resulta em uma economia significativa para os bancos centrais, uma vez que menos cédulas precisam ser impressas e substituídas ao longo do tempo. Além disso, as cédulas de polímero são mais difíceis de falsificar devido às suas avançadas características de segurança, como janelas transparentes, hologramas e elementos de segurança embutidos.

Do ponto de vista ambiental, as cédulas de polímero apresentam uma pegada ecológica diferente das cédulas de papel. Embora a produção inicial de cédulas de polímero exija mais energia e recursos, sua durabilidade reduz a frequência de substituição, resultando em menor consumo de recursos naturais e menos resíduos ao longo do tempo. Além disso, muitas cédulas de polímero são recicláveis, o que contribui para um ciclo de vida mais sustentável em comparação com as cédulas de papel, que frequentemente são descartadas após o uso.

No entanto, a transição para cédulas de polímero não está isenta de desafios. O custo inicial de produção é significativamente mais alto do que o das cédulas de papel, o que pode ser um obstáculo para alguns países, especialmente aqueles com orçamentos mais restritos. Além disso, a aceitação pública pode variar, exigindo campanhas de educação e conscientização para facilitar a adaptação dos cidadãos às novas cédulas. Questões culturais e de costume também podem influenciar a percepção e a aceitação das cédulas de polímero.

Uma das principais justificativas para a adoção das cédulas de polímero é sua durabilidade superior em comparação com as cédulas de papel. Cédulas de papel são suscetíveis ao desgaste rápido, especialmente em climas úmidos ou em países onde o manuseio frequente de dinheiro é comum. Em contraste, as cédulas de polímero são resistentes a rasgos, sujeira e umidade, o que lhes confere uma vida útil significativamente mais longa. Estudos mostram que as cédulas de polímero podem durar de duas a quatro vezes mais do que as de papel. Esta durabilidade prolongada resulta em uma economia considerável para os bancos centrais e governos, uma vez que menos cédulas precisam ser substituídas e, consequentemente, menos recursos são gastos na produção e distribuição de novas cédulas.

A falsificação de moeda é um problema persistente que ameaça a estabilidade econômica e a confiança pública em muitos países. As cédulas de polímero oferecem uma série de recursos de segurança avançados que são mais difíceis de replicar do que aqueles encontrados nas cédulas de papel. Estas características incluem janelas transparentes, hologramas, elementos de tinta que mudam de cor e padrões complexos impressos diretamente no substrato de polímero. Essas medidas de segurança tornam as cédulas de polímero extremamente difíceis de falsificar, ajudando a proteger a integridade do sistema monetário e a reduzir as perdas associadas à falsificação.

Embora a produção inicial de cédulas de polímero possa ser mais intensiva em termos de energia e recursos do que a produção de cédulas de papel, a maior durabilidade das cédulas de polímero significa que elas precisam ser substituídas com menos frequência. Isso resulta em um menor consumo de recursos naturais ao longo do tempo e uma redução significativa na quantidade de resíduos gerados. Além disso, muitas cédulas de polímero são recicláveis, permitindo que os materiais sejam reutilizados para a produção de novas cédulas ou outros produtos de plástico, o que contribui para um ciclo de vida mais sustentável.

A transição para cédulas de polímero também pode melhorar a eficiência operacional dos bancos centrais e das instituições financeiras. As cédulas de polímero são mais fáceis de manusear e processar em máquinas de contagem e classificação de dinheiro, devido à sua rigidez e resistência ao encolhimento e à deformação. Isso pode resultar em menos interrupções e manutenção das máquinas, além de acelerar os processos de contagem e verificação de cédulas.

A aceitação pública das cédulas de polímero é uma consideração crucial para sua implementação bem-sucedida. Embora inicialmente possa haver resistência à mudança devido ao hábito e à familiaridade com as cédulas de papel, a experiência de vários países mostra que o público tende a se adaptar rapidamente às novas cédulas. Campanhas de educação e conscientização podem ajudar a facilitar essa transição, destacando as vantagens das cédulas de polímero em termos de durabilidade, segurança e sustentabilidade. Além disso, a experiência de uso aprimorada – como a maior resistência à sujeira e ao desgaste – tende a aumentar a aceitação pública a longo prazo.

A longo prazo, a transição para cédulas de polímero pode contribuir para uma maior sustentabilidade econômica. A redução dos custos associados à substituição frequente de cédulas de papel e a diminuição das perdas relacionadas à falsificação podem liberar recursos financeiros que podem ser reinvestidos em outras áreas críticas da economia. Além disso, a adoção de tecnologias mais avançadas na produção de cédulas de polímero pode impulsionar a inovação e o desenvolvimento de novas soluções no campo da segurança monetária.

Em suma, a adoção de cédulas de polímero é justificada por uma combinação de fatores econômicos, de segurança, ambientais e operacionais. A maior durabilidade e segurança das cédulas de polímero, aliadas a seus benefícios ambientais e à eficiência operacional, fazem delas uma alternativa viável e vantajosa às cédulas de papel. A transição para cédulas de polímero representa não apenas uma melhoria tecnológica, mas também um passo significativo em direção a uma gestão monetária mais eficiente, segura e sustentável.




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Evolução Histórica das Cédulas de Polímero

As cédulas de polímero introduzidas pela primeira vez na Austrália foram resultado de uma década de pesquisa e desenvolvimento liderados pelo Reserve Bank of Australia (RBA) e pela Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO). A motivação inicial para a criação das cédulas de polímero foi a necessidade de combater a falsificação, que estava se tornando um problema significativo para as cédulas de papel. A primeira cédula de polímero emitida foi a nota comemorativa de 10 dólares australianos, que apresentou um conjunto de características de segurança inovadoras, como uma janela transparente.

Após o sucesso inicial na Austrália, outros países começaram a explorar e adotar cédulas de polímero. Na década de 1990, países como Nova Zelândia e Romênia seguiram o exemplo australiano. A Nova Zelândia lançou suas primeiras cédulas de polímero em 1999, enquanto a Romênia introduziu as suas em 1999, tornando-se o primeiro país europeu a adotar essa tecnologia. O Canadá seguiu em 2011, e o Reino Unido começou a emitir cédulas de polímero em 2016, com a nota de 5 libras esterlinas.

As cédulas de polímero evoluíram significativamente desde sua introdução. Inovações tecnológicas têm melhorado continuamente a segurança, durabilidade e sustentabilidade dessas cédulas. As janelas transparentes, por exemplo, foram aprimoradas com hologramas e tintas que mudam de cor, tornando as cédulas ainda mais difíceis de falsificar. Além disso, novos processos de impressão e revestimentos especiais aumentaram a resistência ao desgaste e à sujeira.



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Considerações Finais 

O estudo das cédulas de polímero revela uma tecnologia monetária inovadora que traz diversas vantagens significativas sobre as cédulas de papel tradicionais. Desde sua introdução na Austrália em 1988, as cédulas de polímero têm se mostrado uma alternativa viável e, em muitos aspectos, superior, oferecendo durabilidade, segurança e benefícios ambientais que justificam sua adoção crescente em todo o mundo.

As cédulas de polímero apresentam uma durabilidade substancialmente maior, com uma vida útil que pode ser de duas a quatro vezes superior à das cédulas de papel. Essa durabilidade resulta em menos substituições Semestral - Vol. XXVIII, No 88 2, 2024 frequentes e, consequentemente, em uma economia de custos significativos a longo prazo. As características de segurança das cédulas de polímero, como janelas transparentes, hologramas e tintas que mudam de cor, dificultam a falsificação e aumentam a confiança do público na moeda.

No entanto, a produção inicial de cédulas de polímero é mais cara, e o processo de reciclagem ainda apresenta desafios em muitos países. Além disso, a aceitação pública pode enfrentar resistência inicial devido a diferenças táteis e à rigidez das cédulas de polímero em comparação com as cédulas de papel.

Do ponto de vista econômico, a adoção de cédulas de polímero tem demonstrado uma redução significativa nos custos operacionais dos bancos centrais devido à sua maior durabilidade. A eficiência operacional é melhorada pela maior resistência das cédulas de polímero ao desgaste e à sujeira, o que reduz a necessidade de manutenção de equipamentos de contagem e processamento.

Ambientalmente, as cédulas de polímero, embora inicialmente mais intensivas em termos de produção, oferecem benefícios a longo prazo. Sua durabilidade reduz a frequência de reposição, resultando em menor consumo de recursos naturais e menores emissões de CO2. A reciclabilidade das cédulas de polímero também contribui para a sustentabilidade, embora a infraestrutura de reciclagem precise ser aprimorada em muitos países para maximizar esses benefícios.

A aceitação pública das cédulas de polímero tende a aumentar com o tempo, à medida que os usuários se familiarizam com suas vantagens, especialmente em termos de durabilidade e segurança. Campanhas de educação e conscientização são cruciais para facilitar essa transição, informando o público sobre como manusear e cuidar das novas cédulas.

Estudos de caso em países como Austrália, Canadá, Reino Unido, Nigéria e Brasil demonstram que, apesar das variações nas reações iniciais, a maioria dos usuários reconhece e valoriza os benefícios das cédulas de polímero após um período de adaptação.

Para países que consideram a transição para cédulas de polímero, é recomendável desenvolver uma estratégia de implementação bem planejada que inclua:
• Estudos Piloto: Realizar estudos piloto para avaliar a resposta pública e identificar possíveis desafios antes de uma implementação em larga escala.
• Campanhas de Educação: Implementar campanhas de educação e conscientização para informar o público sobre as características e vantagens Semestral - Vol. XXVIII, N 89 o 2, 2024 das cédulas de polímero.
• Parcerias Tecnológicas: Colaborar com especialistas e empresas tecnológicas para garantir a produção eficiente e a reciclagem adequada das cédulas de polímero.

Investir em infraestrutura de reciclagem é crucial para maximizar os benefícios ambientais das cédulas de polímero. Desenvolver processos de reciclagem mais eficientes e acessíveis pode reduzir ainda mais a pegada ecológica dessas cédulas.

Continuar investindo em pesquisa e desenvolvimento para aprimorar as cédulas de polímero. Inovações tecnológicas podem levar a cédulas ainda mais seguras, duráveis e sustentáveis. Explorar novos materiais e tecnologias de impressão pode oferecer oportunidades para melhorar ainda mais a eficiência e a eficácia das cédulas de polímero.

O futuro das cédulas de polímero parece promissor, com uma tendência crescente de adoção global. À medida que mais países reconhecem os benefícios dessa tecnologia, espera-se que as cédulas de polímero se tornem a norma em muitos sistemas monetários. As contínuas inovações tecnológicas e as melhorias na infraestrutura de reciclagem provavelmente aumentarão ainda mais a atratividade e a sustentabilidade das cédulas de polímero.

Além disso, a integração de novas tecnologias, como recursos de segurança digital e materiais avançados, pode transformar as cédulas de polímero em uma parte ainda mais essencial e eficiente dos sistemas financeiros modernos. A evolução contínua dessas cédulas oferece um caminho promissor para um futuro mais seguro, econômico e ambientalmente sustentável.





Para acessar a análise completa, consulte o artigo publicado na revista - pag. 80.





Referências bibliográficas STRAUS, Stane; LUDWIG, Donald; KEE H.B, Tigerson (2021). POLYMER 2021. Virginia Beach (VA): CDN Publishing. SOLOMON, David; SPURLING, Tom (2014). The Plastic Banknote: From concept to Reality. Clayton (Australia): CSIRO Publishing. COHEN, Benjamin (2004). The future of Money. Princeton (NJ): Princeton University Press, 1a ed. RAHMAN, Rema (2011). Who, What, Why: Why don’t more countries use plastic banknotes? BBC News 18 de novembro. https://www.bbc.com/news/magazine-15782723 SAVAGE, Neil (2023). Here Comes the Plastic Money. MIT Technology Review. https://www.technologyreview.com/2012/03/23/187066/here-comes-the-plastic-money/ MACEDO, Jorge (2013). Tecnologia é essencial para dificultar a falsificação de dinheiro. Estado de Minas. https://www.em.com.br/app/noticia/tecnologia/2013/05/21/interna_tecnologia,391318/tecnologia-e-essencial-para-dificultar-a-falsificacao-de-dinheiro.shtml RIBEIRO, Weudson (2022). Não rasgam: notas com rosto de Charles 3º serão todas de plástico. Universo Online - Economia. https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2022/09/18/notas-com-charles- -3-serao-de-plastico-material-nao-deu-certo-no-brasil.htm POLYMERNOTES.ORG. Currency consulting, management and solutions https://www.polymernotes.org/ Banco Central do Brasil. Cédula comemorativa. https://www.bcb.gov.br/cedulasemoedas/cedulasespeciaisnb

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