Decálogo do medalhista

Decálogo do medalhista

📖 José Roberto Ulian
📰 Publicado no BOLETIM 86 da SNB

É uma prática que em algumas áreas de estudo se faça um Decálogo, que vem a ser um conjunto de dez regras com sugestões de boas práticas e conselhos, visando estabelecer paradigmas meritórios dos integrantes daquela área e, naturalmente, o Colecionismo Numismático possui o seu.


Na Medalhística não poderia ser diferente, e tal Decálogo foi escrito por A. Marques Pinto, medalhista português, que na revista “A Medalha”, editada em Portugal em novembro de 1973, propôs o abaixo expresso. São pertinentes seus pontos, razão pela qual deve ser de conhecimento dos colecionadores brasileiros, e quiçá até expandido por estes, ficando aqui o convite para tal. Para manter incluso o texto do eminente medalhista luso, a grafia será mantida tal como o fôra publicada na citada revista.


Refiltamos, pois, e que outros trabalhos advenham como consta no item 10.


1 Aprecia e admira a medalha como documento histórico e como peça de arte, antes de lhe atribuíres valores comerciais, de a considerares um objeto de valorização, ou meio de capitalização.

2 Se és verdadeiramente amigo da medalha, salienta com entusiasmo as suas virtudes e deixa que sejam outros a preocuparem-se com a descrição de eventuais efeitos.

3 Nunca duvides da honestidade dos autores na realização dos seus trabalhos. Eles procuram servir-te e agradar-te o melhor que podem, porque em cada medalha se arriscam a sua carreira artística e o seu prestígio pessoal, que querem ver constantemente engrandecidos.

4 Ao fazeres a apreciação de uma nova medalha, sê compreensivo e benevolente. É fácil, mas nem sempre é justo julgar e criticar num minuto o trabalho que levou horas, dias ou meses a conceber e a realizar.

5 Orgulha-te da tua coleção, que os outros orgulham-se de ti. Se mostrares as tuas medalhas a elementos estranhos ao movimento, encarece os efeitos artísticos, históricos e didácticos das peças que vens reunindo. Valorizando as medalhas que possuis, valorizas o teu património.

6 Sê contemporizador em face dos aspectos da Medalhística que te desagradam. Antes de censurares atitudes alheias certifica-te de que não merece censura a tua própria atitude.

7 Apoia sempre e incondicionalmente a criação e emissão de novas medalhas, embora nem todas mereçam a tua simpatia e o teu interesse. És livre para escolher a qualidade e podes livremente desprezar a quantidade.

8 Presta homenagem ao esforço e ao trabalho dos que, por qualquer forma, contribuem para o desenvolvimento da Medalhística. Tu és exatamente um dos beneficiários desse esforço e desse trabalho.

9 Respeita a opinião dos demais medalhistas, mesmo que ela seja contrária à tua. A discussão é salutar se visar espírito construtivo, mas as opiniões alheias são tão respeitáveis como a tua.

10 Não te limites a uma posição de expectativa. Contribui activamente na expansão e na defesa da dignidade da medalha, participando, colaborando em todas as iniciativas que se promovam com tais objetivos.



Ref: “A Medalha – Revista de Medalhística” – Nº 17 - Novembro de 1973 - Lisboa - Portugal
Foto: Dennis Jarvis / Retrato do Engraver Augusto Girardet, de Rodolfo Amoedo, 1919

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  • user por Admin Vivendo a Historia

    É Verdade. Mesmo sem valor prático no comércio hoje, a moeda de 1 centavo tem valor histórico, numismatico e afetivo para muitos colecionadores.

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  • user por Admin Vivendo a Historia

    Olá Debora, O acesso virtual ao acervo da Biblioteca do Vaticano existe há alguns anos. O projeto de digitalização começou por volta de 2010, e a disponibilização pública online foi sendo ampliada ao longo da década de 2010, especialmente a partir de 2014 com a plataforma DigiVatLib. Em 2018, o Vaticano anunciou oficialmente que milhares de manuscritos e documentos já estavam acessíveis gratuitamente pela plataforma. Desde então, o acervo digital continua sendo atualizado e expandido continuamente com novos manuscritos, moedas, medalhas, arquivos e outros materiais históricos.

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  • user por Messias Pokemon, o melhor mercado do mundo.

    Amigo Fernando! Já que não existem moedas FC (moedas sem marcas de dedo/digital), só moedas FP = Flor de Porco: circuladas, danificadas, sucateadas, simples troco de padaria da vovozinha de alguém, sem nada de valor agregado… por que DIABOS os autores de catálogos não tiram essa porcaria de FC dos catálogos? Assim, os novos colecionadores não vão se iludir em encontrar a tal moeda dos seus sonhos em FC; vão encontrar apenas moedas FP. Ai eles nem vão perder o seu tempo com troco, e sim vão procurar colecionar outros colecionáveis, a onde os comerciantes são honestos, e seguem padrões, processos, como o EC correto da peça, por exemplo no mercado de cartas de Pokemon, se vc comprar uma carta NM na Liga Pokemon, vc vai receber uma carta NM na sua casa, caso contrário vc tem todo o direito de devolver, coisa que as lojas do TROCO não fazem, é aceita devolução de moedas ou cédulas.

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