Foto: David Duggleby Auctioneers
Uma moeda de ouro de cerca de 2.000 anos, considerada extremamente rara, foi vendida por 3.300 libras em leilão no Reino Unido, no início de janeiro de 2026. O objeto foi encontrado por um detectorista de metais em um campo na vila de Lelley, em East Yorkshire, no norte da Inglaterra.
O artefato é um estáter de ouro cunhado entre 50 e 10 a.C., durante a Idade do Ferro. Especialistas atribuem a peça à tribo celta Corieltauvi, que ocupava áreas do atual Lincolnshire e das East Midlands antes da conquista romana.
A venda ocorreu na casa de leilões David Duggleby, em Scarborough. Segundo a especialista Coralie Thomson, trata-se de “uma moeda incrivelmente rara”, possivelmente apenas o segundo exemplar conhecido no mundo com essa variação específica.
O diferencial está no desenho. A moeda apresenta cinco pequenos pontos, chamados de pellets, dispostos dentro de uma moldura retangular acima da figura abstrata de um cavalo. O padrão tradicional desse tipo de estáter possui quatro pellets. A presença do quinto ponto muda a classificação numismática da peça.
A moeda mede cerca do tamanho de uma antiga meia moeda decimal britânica e pesa 5,5 gramas. A análise indicou uma liga metálica composta por 33% de ouro, 54% de cobre e 9,5% de prata. Esse padrão era comum no fim da Idade do Ferro, quando o valor simbólico da moeda já superava o teor de ouro puro.
O achado ocorreu em uma área que, há dois milênios, era ocupada pela tribo Parisi, em East Yorkshire. Os Parisi não produziam moedas próprias, o que reforça a hipótese de redes de comércio e troca de prestígio entre diferentes povos celtas da região.
Especialistas avaliam que a circulação da moeda revela relações econômicas mais integradas do que se imaginava entre as tribos britânicas antes da chegada dos romanos. A presença de um estáter Corieltauvi em território Parisi indica trânsito regular de bens pelo estuário do rio Humber, importante rota comercial da época.
A estimativa inicial da peça variava entre 2.000 e 4.000 libras. O valor final confirmou o interesse de colecionadores e instituições por itens de raridade extrema e com procedência documentada.
Apesar da venda para mãos privadas, o achado foi registrado em bancos de dados arqueológicos britânicos. Esse procedimento garante que informações sobre o local e o contexto da descoberta fiquem disponíveis para pesquisas futuras.
Para arqueólogos e numismatas, a pequena moeda amplia o conhecimento sobre a economia, a metalurgia e a organização política das sociedades celtas da Grã-Bretanha pré-romana. Um detalhe quase invisível — um ponto a mais no desenho — foi suficiente para reescrever parte dessa história.