Investidores brasileiros começam a olhar com mais atenção para a numismática e a filatelia como alternativa de investimento. O mercado de moedas e selos raros, ainda pouco explorado no País, tem apresentado histórico de valorização consistente no exterior e desperta interesse de quem busca diversificar patrimônio no longo prazo.
Índices internacionais que acompanham raridades, como o GB30 e o GB250, divulgados pela Bloomberg, registraram crescimento anual composto superior a 10% nas últimas décadas. O desempenho atrai investidores que desejam ativos físicos, escassos e menos sujeitos às oscilações diárias da Bolsa.
O Brasil foi o primeiro país da América do Sul a estruturar operações nesse segmento de forma organizada. Empresas especializadas montam portfólios com peças históricas e fazem a guarda dos itens até o momento da venda. O foco recai sobre raridades com procedência comprovada e demanda internacional.
Acesso exige capital e estratégia
O ingresso nesse mercado costuma exigir valores elevados. Há aplicações iniciais próximas de R$ 100 mil, dependendo do portfólio escolhido. A lógica é semelhante à de outros ativos de longo prazo: o investidor compra, mantém e aguarda valorização.
A liquidez é reduzida. Moedas e selos raros não são negociados com a mesma rapidez de ações ou fundos. Por isso, especialistas recomendam aplicar apenas recursos que não serão necessários no curto prazo. A venda antecipada pode ocorrer com desconto.
Em geral, não há cobrança de taxa de administração ou armazenamento. A remuneração das empresas ocorre na venda, com comissão que pode chegar a 20% sobre o lucro obtido. O modelo exige análise de contrato e avaliação independente das peças.
Raridades que se tornaram referência
Alguns selos ilustram o potencial desse mercado. O British Guiana 1c Magenta é considerado o mais valioso do mundo. Existe apenas um exemplar conhecido, negociado por milhões de euros.
Outro caso é o Treskilling Yellow, peça sueca impressa na cor errada. A raridade já ultrapassou a marca de 2 milhões de euros em leilões.
Nos Estados Unidos, o Inverted Jenny, com a imagem de um avião invertido, tornou-se símbolo de valorização. Foram emitidas 100 unidades.
O histórico começa com o Penny Black, lançado em 1840 no Reino Unido, primeiro selo postal do mundo. Mesmo com exemplares ainda disponíveis, versões sem uso alcançam valores expressivos pela importância histórica.
Crescimento patrimonial possível
O investidor que entra nesse segmento busca crescimento patrimonial gradual. A valorização depende de escassez, estado de conservação e interesse internacional. Leilões especializados definem referências de preço e dão liquidez às peças.
Num cenário de busca por diversificação, numismática e filatelia ampliam o leque de alternativas. O mercado exige estudo e paciência, mas pode oferecer retornos relevantes ao longo do tempo. Para parte dos investidores, trata-se de unir estratégia financeira e interesse por itens históricos com potencial de valorização.