Tostão: quando uma antiga moeda brasileira virou o apelido de um craque

Tostão: quando uma antiga moeda brasileira virou o apelido de um craque

Muito antes de ser lembrado como um dos maiores jogadores da história do Cruzeiro e campeão mundial com a Seleção Brasileira em 1970, o nome "Tostão" identificava uma das moedas mais conhecidas de Portugal e do Brasil. Embora tenha desaparecido oficialmente da circulação em meados do século XX, a palavra continuou viva no vocabulário popular e acabou inspirando o apelido de Eduardo Gonçalves de Andrade, um dos maiores nomes do futebol brasileiro.

A ligação entre a moeda e o jogador nasceu ainda na infância. Pequeno, magro e muito habilidoso, Eduardo costumava jogar futebol com garotos bem mais velhos. A diferença de tamanho fez os colegas compará-lo ao antigo tostão, expressão usada para designar algo pequeno ou de pouco valor. A brincadeira atravessou toda a carreira e transformou-se em um dos apelidos mais famosos da história do esporte nacional.

A origem da moeda tostão

A palavra "tostão" tem origem no francês teston, derivado do italiano testone. O nome fazia referência às moedas de prata que traziam a efígie — ou seja, o retrato — do soberano. Com o passar do tempo, o termo foi incorporado ao sistema monetário português e, posteriormente, chegou ao Brasil.

Em Portugal, o tostão começou a ser cunhado durante o reinado de Dom Manuel I, no início do século XVI. A moeda era feita em prata e tinha valor de 100 réis. Durante séculos, diferentes versões circularam no reino, acompanhando as mudanças econômicas e monetárias da época.

O tostão no Brasil

No Brasil, o nome "tostão" foi usado para designar moedas de diferentes valores ao longo da história.

No período colonial e durante o Império, o tostão correspondia a 80 réis. Essas moedas foram cunhadas em prata entre 1695 e 1833. Mais tarde, também passaram a ser produzidas em cobre, principalmente a partir de 1818.

Já na República, a denominação ganhou um novo significado. A moeda de 100 réis emitida entre 1918 e 1935 passou a ser chamada popularmente de tostão. Ela continuou em circulação até 1942, quando o governo substituiu o antigo sistema monetário baseado nos réis pelo cruzeiro.

Mesmo depois do desaparecimento da moeda, a palavra permaneceu viva na linguagem cotidiana.

O tostão que nunca saiu da memória dos brasileiros

Poucas moedas deixaram uma marca tão forte na cultura popular quanto o tostão.

Durante décadas, expressões como "não tenho nem um tostão", "não vale um tostão furado" e "juntar os tostões" fizeram parte do dia a dia dos brasileiros. Em todas elas, o tostão aparece como símbolo de uma pequena quantia em dinheiro ou de algo sem grande valor.

Essa permanência explica por que o apelido de Eduardo Gonçalves de Andrade surgiu mesmo anos depois de a moeda deixar de existir oficialmente.

Como nasceu o apelido de Tostão

Eduardo Gonçalves de Andrade nasceu em Belo Horizonte, em 25 de janeiro de 1947. Ainda criança, morava no Conjunto IAPI, no bairro Lagoinha, onde passava boa parte do tempo jogando futebol nos campos de terra da região.

Por volta dos sete anos, foi chamado para completar um time formado por adolescentes, alguns com quase o dobro de sua idade. Apesar da baixa estatura e do físico franzino, demonstrou habilidade incomum e chegou a marcar um gol.

Os colegas passaram a chamá-lo de Tostão justamente por ser o menor do grupo. A comparação fazia referência à antiga moeda, associada popularmente a algo pequeno. O apelido pegou rapidamente e, poucos anos depois, já era conhecido em todo o futebol mineiro.

Há uma curiosidade interessante nessa história. Quando Eduardo nasceu, o tostão já não existia como moeda oficial. Ainda assim, a palavra continuava tão presente no vocabulário popular que ninguém estranhou a comparação.

O apelido tornou-se maior que o próprio nome

O menino que recebeu um apelido por causa do tamanho transformou-se em um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro.

Pelo Cruzeiro, Tostão marcou 249 gols em partidas oficiais e foi protagonista da conquista da Taça Brasil de 1966, título que colocou fim à hegemonia do Santos de Pelé na competição nacional.

Na Seleção Brasileira, formou um dos ataques mais famosos de todos os tempos ao lado de Pelé, Jairzinho, Rivellino e Gérson. Em 1970, foi peça fundamental na campanha que levou o Brasil ao tricampeonato mundial, no México.

Problemas na visão obrigaram o atacante a encerrar a carreira precocemente, aos 26 anos. Formou-se em Medicina e, anos mais tarde, tornou-se um dos comentaristas esportivos mais respeitados do país.

Uma moeda eternizada pelo futebol

O tostão desapareceu da circulação há mais de oito décadas, mas nunca deixou completamente a memória dos brasileiros. A antiga moeda permaneceu viva em ditados populares, atravessou gerações e ganhou um significado inesperado ao batizar um dos maiores craques da história do futebol nacional.

Hoje, quando alguém ouve o nome Tostão, dificilmente pensa em uma moeda de prata ou em uma peça de 100 réis. A lembrança imediata é a do camisa 10 inteligente, técnico e decisivo que brilhou no Cruzeiro e ajudou a Seleção Brasileira a conquistar a Copa do Mundo de 1970.

É um exemplo raro de como a numismática ultrapassa os limites das coleções e dos museus. Neste caso, uma antiga moeda deixou de representar apenas dinheiro para se tornar parte da identidade de um dos maiores ídolos do esporte brasileiro.

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Comentário recente

  • user por erni roos

    tenho 2 de 1 centavos e muitas outras do jucelino, casa da moeda , do beija flor tenho 2 so nao sei pra quem vender

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  • user por Patrícia

    Tem uma moeda de r$ r$ 1 comemorativa 60 anos

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  • user por Rogério

    Tenho moeda de 1 Real do Cinquentenário da Declaração Universal dos Dureitos Humanos 1998 em ótimo estado;

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